Evento comunista no museu da UDESC
Se você achava que o Museu da Escola Catarinense (MESC) servia só para preservar a memória de Santa Catarina, o dia 27 de setembro de 2025 mostrou outra agenda. A Reitoria da UDESC autorizou o prédio público para a UJR (União da Juventude Rebelião) no evento “Seremos todos Che Guevara”.
Enquanto a fachada do museu está em ruína visível, o interior foi ocupado com bandeiras de foice e martelo e retratos de Che Guevara — celebração de 30 anos de um grupo que se apresenta como comunista e revolucionário.
O interior do MESC foi "decorado" com:
- Bandeiras com a foice e o martelo.
- Rostos de Che Guevara por todo lado.



O que a Ouvidoria respondeu
Em 6 de outubro de 2025 o Renova registrou na Ouvidoria-Geral do Estado o atendimento 2025035245: o evento ocorreu? Quem pediu e quem autorizou? Por que não houve divulgação oficial? Há agenda pública? Houve coffee break ou outro apoio além do espaço? O regimento permite evento ideológico? Como qualquer aluno pede o mesmo auditório?
A resposta de mérito, de 29 de outubro de 2025, veio da coordenação do MESC. Os pontos, no que a UDESC assinou:
- o evento ocorreu;
- quem pediu o espaço, por e-mail, foi o DCE e a UNE — para “lançar uma revista da coleção Manoel Lisboa” sobre juventude, vida e educação. Segundo o MESC, nada no pedido falava de partido nem das teorias que o Renova citou;
- a coordenação autorizou porque lançamento de livro, revista e debate é “costumeiro”;
- não houve divulgação oficial: o MESC prioriza evento próprio e, neste, os organizadores não enviaram material;
- a agenda é “organização interna”; a programação iria ao Instagram;
- não houve alimentação nem apoio extra — só o auditório;
- sobre o caráter ideológico, a coordenação recorreu à filosofia: “todos os eventos têm caráter ideológico”; o museu preza a pluralidade;
- qualquer um pede por e-mail, com vínculo cultural ou educacional; em geral o uso é gratuito, se houver agenda.
A UDESC autorizou um lançamento de revista pedido pelo DCE e pela UNE. As fotos do que aconteceu no prédio público são bandeira comunista, Che Guevara e aniversário da UJR. Ou o pedido omitiu o que seria o evento, ou a fiscalização do MESC parou no e-mail. Pluralidade não é usar o museu do Estado como salão de festa fechado, sem divulgação, para a militância alinhada.
O museu esquecido no meio da cidade
Em 17 de dezembro de 2025 voltamos ao MESC — não para o evento, para o acervo. O prédio é bonito e está relativamente conservado. O uso é o problema.
Na visita de um sábado à tarde, em temporada de turista em Florianópolis:
- os tablets multimídia do acervo estavam desligados;
- quase metade das salas com acervo estava fechada;
- dois dos quatro banheiros, interditados;
- não havia mediador do museu — só segurança terceirizada, atenciosa, tentando cobrir o buraco;
- em cerca de uma hora, nenhum outro visitante; o caderno da entrada sugeria menos de 30 visitas por dia;
- não há elevador; a cafeteria prevista estava fechada;
- sala de evento, reunião e auditório sobravam — bem conservados. O acervo, não.
O site do MESC parece parado nos anos 1990. Não há calendário unificado do que acontece no prédio. Tentamos agendar o auditório: a administração não soube informar os dias livres.
A cifra de cerca de R$ 500 mil por ano que circulou na nossa publicação veio da página de compras da UDESC no Instagram. O custo real do museu, com pessoal e prédio, provavelmente é maior. Com esse dinheiro, um museu no centro de Florianópolis não deveria receber menos gente do que uma loja de souvenir.
O evento do Che cabe nesse retrato: o MESC tem pouco acervo aberto ao público e muito espaço para quem a Reitoria deixa entrar pela porta dos fundos.

Está na hora de a Reitoria impor limites e lembrar que museu público não é comitê partidário — nem depósito de sala vazia.

